A obesidade infantil já faz parte da realidade de muitas crianças e pode trazer diversos impactos para o futuro dos pequenos. Por isso, é fundamental dar atenção a uma alimentação equilibrada e nutritiva desde cedo. Por isso, continue lendo para entender mais sobre o tema.
A obesidade infantil e seus problemas
De acordo com dados publicados no Ministério da Saúde em 2022, mais de 340 mil crianças brasileiras entre 5 e 10 anos, acompanhadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), possuem obesidade. Já em 2025, uma em cada três crianças e adolescentes de 10 a 19 anos no Brasil têm excesso de peso, segundo um levantamento do SUS .
Com esses dados, fica claro que a obesidade infantil já faz parte da realidade de muitas crianças e adolescentes. Mas é importante entender que a preocupação vai muito além da questão estética. Trata-se de uma doença que impacta diretamente a saúde, o desenvolvimento e a qualidade de vida, com os seguintes principais problemas:
- Doenças metabólicas precoces – Aumento do risco de desenvolver condições como diabetes tipo 2, colesterol alto e hipertensão ainda na infância.
- Problemas cardiovasculares – Mesmo em idades jovens, já podem surgir alterações que elevam o risco de doenças do coração no futuro.
- Sobrecarga nas articulações – O excesso de peso impacta joelhos, tornozelos e coluna, podendo causar dores, dificuldade de movimento e até lesões.
- Questões emocionais e comportamentais – Baixa autoestima, ansiedade e até isolamento social são comuns, muitas vezes agravados por bullying.
- Maior chance de obesidade na vida adulta – Crianças com excesso de peso têm maior probabilidade de manter o quadro ao longo da vida, aumentando riscos de doenças crônicas.
Essas são algumas das principais dificuldades e doenças associadas à obesidade infantil. Mas como prevenir esse cenário?
Como mudar esse cenário de obesidade infantil?
Manter uma alimentação regular e balanceada é a chave para prevenir a obesidade infantil. Segundo a nutricionista esportiva e clínica, Nathalia Schnaak, os principais hábitos que ajudam incluem:
- Manter horários regulares para as refeições;
- Priorizar alimentos in natura ou minimamente processados;
- Evitar o consumo frequente de ultraprocessados;
- Estimular o comer à mesa (sem telas);
- E respeitar os sinais de fome e saciedade da criança.
Além disso, é extremamente importante que os adultos estejam atentos aos hábitos e ajudem a estimular a manutenção deles. “Pais e responsáveis têm papel fundamental, pois são modelos de comportamento alimentar, controlam o ambiente alimentar da casa e influenciam diretamente as escolhas e a relação da criança com a comida”, afirma a profissional.
E segundo a nutricionista, também é essencial observar sinais de alerta para sobrepeso ou obesidade infantil, como:
- Ganho de peso acelerado:
- Aumento do IMC para a idade;
- Mudanças no padrão alimentar (excesso de fome ou comer emocional):
- Sedentarismo e histórico familiar de obesidade.
Entretanto, não é necessário levar essa mudança ao extremo, já que a restrição alimentar pode gerar um efeito contrário nas crianças, “aumentando o desejo por determinados alimentos, podendo levar à compulsão ou uma relação negativa com a comida”, salienta Nathalia.
Por isso, dietas restritivas também não são recomendadas para crianças, salvo em casos específicos com acompanhamento profissional: “o foco deve ser a reeducação alimentar e mudanças no estilo de vida de toda a família”, reforça a especialista.
Como montar uma rotina alimentar equilibrada?
Para montar uma rotina alimentar equilibrada para o dia a dia das crianças, Nathalia Schnaak recomenda:
- Café da manhã;
- Almoço;
- Jantar;
- E 1–2 lanches intermediários.
Ela explica que, nesses momentos, é importante sempre “incluir variedade de grupos alimentares (carboidratos, proteínas, gorduras boas, frutas e vegetais), com porções adequadas para a idade e rotina da criança”.
Já em relação aos alimentos que devem ser evitados ou consumidos com mais cautela, ela destaca os “ultraprocessados como refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos, fast food, embutidos e doces em excesso, devido ao alto teor de açúcar, gordura e sódio”.
Para incentivar o consumo de frutas, legumes e verduras, “é importante oferecer repetidamente, variar a forma de preparo, envolver a criança no processo (comprar, lavar, preparar), e dar o exemplo em casa, consumindo esses alimentos no dia a dia”, comenta Schnaak.
Dicas finais para evitar a obesidade infantil
Durante o processo de educação alimentar infantil para a prevenção da obesidade, surge também a necessidade de equilibrar a alimentação saudável com a rotina escolar e social da criança. “É importante planejamento, como preparar lanches saudáveis, orientar escolhas fora de casa e manter flexibilidade, sem radicalismos”, fala a nutricionista.
Além disso, a atividade física se torna essencial durante a rotina da criança para evitar a obesidade infantil, pois contribui para o gasto energético, o desenvolvimento motor, a saúde metabólica e também ajuda na formação de hábitos saudáveis desde a infância.
Por fim, Nathalia recomenda como lidar com a seletividade alimentar sem gerar conflito: “tenha paciência, evite pressão ou punição, exponha a criança repetidamente aos alimentos, crie um ambiente positivo durante as refeições e respeite o tempo de adaptação”.
