Dor no peito, falta de ar, coração acelerado e sensação de medo intenso são sintomas que assustam e com razão. Em muitos casos, esses sinais podem estar relacionados a uma crise de ansiedade. Em outros, podem indicar algo muito mais grave: um infarto. O problema é que esses dois quadros podem ser facilmente confundidos, o que torna a informação correta essencial para salvar vidas.
Para esclarecer as principais diferenças e orientar sobre como agir, conversamos com o Dr. Bruno Sthefan, médico cardiologista e especialista em medicina do esporte .
1. Quais sintomas caracterizam uma crise de ansiedade?
Segundo o Dr. Bruno Sthefan, é muito comum pacientes confundirem ansiedade com problemas cardíacos. Durante uma crise de ansiedade, os sintomas mais frequentes incluem:
- Coração acelerado (palpitações)
- Sensação de falta de ar
- Tremores ou formigamento
- Sudorese
- Tontura
- Aperto no peito sem padrão típico
- Sensação intensa de medo ou de que algo muito grave vai acontecer
Geralmente, a crise tem início súbito, dura alguns minutos e tende a melhorar à medida que a pessoa se acalma, controla a respiração ou muda o foco da atenção.
2. Quais sintomas caracterizam um infarto?
No infarto, o padrão dos sintomas é diferente e mais preocupante. A dor costuma ser:
- Forte, em aperto ou sensação de peso no centro do peito
- Com irradiação para o braço esquerdo, mandíbula, costas ou ombro
Além disso, podem surgir:
- Falta de ar
- Sudorese fria
- Náuseas
- Palidez
- Mal-estar intenso
O cardiologista alerta que mulheres, diabéticos e idosos podem apresentar sintomas atípicos , como cansaço extremo, queimação no estômago ou apenas falta de ar, sem a dor clássica no peito.
3. Quais são as principais diferenças entre uma crise de ansiedade e um infarto?
A principal diferença está na evolução do quadro.
- A crise de ansiedade tende a melhorar com respiração lenta, acolhimento e tranquilização.
- O infarto não melhora , pelo contrário, os sintomas costumam persistir ou piorar.
Enquanto a dor da ansiedade é mais variável e difusa, no infarto ela é persistente, geralmente dura mais de 20 minutos e não muda com posição, respiração ou distração. “Se existe dúvida, eu sempre digo: tratem como infarto até o contrário”, reforça o especialista.
4. Por que esses dois quadros podem ser facilmente confundidos?
Ambos podem causar sintomas semelhantes, como:
- Dor no peito
- Falta de ar
- Palpitações
- Sudorese
- Tontura
- Sensação de morte iminente
Além disso, o próprio infarto pode desencadear ansiedade, aumentando ainda mais a confusão. Por isso, o autodiagnóstico é perigoso e pode atrasar um atendimento essencial.
5. O que fazer diante de dor no peito ou sensação de falta de ar?
A orientação é clara: dor no peito nunca deve ser atribuída à ansiedade sem avaliação médica .
Procure emergência imediatamente se houver:
- Dor em aperto com duração maior que 5 minutos
- Irradiação da dor para braço, mandíbula ou costas
- Falta de ar importante
- Sudorese fria ou desmaio
- Sintomas durante esforço físico
- Presença de fatores de risco como hipertensão, diabetes, tabagismo ou histórico familiar
Em situações de risco, não dirija . Acione o SAMU pelo telefone 192 .
6. Quais atitudes podem colocar a pessoa em risco?
Algumas atitudes aumentam significativamente o risco de complicações graves, como:
- Esperar “ver se passa”
- Tomar ansiolítico para testar se é ansiedade
- Deitar e aguardar por horas
- Continuar treinando mesmo com dor
- Dirigir sozinho até o hospital
No infarto, cada minuto de atraso significa perda de músculo cardíaco. “Como cardiologista e médico do esporte, a minha orientação é sempre a mesma: na dúvida, trate como emergência. É muito melhor descartar um infarto do que descobrir tarde demais.”
