Com o passar dos anos, é comum que o corpo mude e que novas necessidades surjam. Envelhecer faz parte da vida, mas a forma de viver essa fase pode ser muito diferente para cada pessoa. Pequenas escolhas do dia a dia têm o poder de impactar diretamente a vitalidade, a disposição e até a forma de se relacionar com o envelhecer. Entenda como manter-se em movimento pode fazer toda a diferença para viver essa fase com mais qualidade de vida.

Impactos da inatividade durante a terceira idade

A falta de movimento pode gerar ao corpo mudanças que afetam desde a disposição até a independência no dia a dia, aos poucos, tarefas simples se tornam mais desafiadoras. O diretor técnico da Bodytech, Eduardo Netto, explica que a diminuição da autonomia se dá através da sarcopenia – quando a falta de movimento acelera o processo de perda muscular e força.

“A inatividade eleva a probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e até mesmo declínio cognitivo, tornando o envelhecimento mais frágil e suscetível a complicações de saúde. Além disso, a falta de movimento também contribui para a redução da densidade óssea, aumentando o risco de osteoporose”, pontua o especialista.

É natural que, com o avanço da idade, haja redução da massa muscular, da flexibilidade e do equilíbrio, além da perda de capacidade cardiorrespiratória. Também são frequentes alterações metabólicas, como resistência à insulina e aumento da gordura corporal. No entanto, Eduardo indica que a prática regular de atividade física ajuda a minimizar esses efeitos, mantendo o organismo mais saudável e funcional por mais tempo.

Como o exercício físico pode ajudar?

Segundo o especialista, o exercício físico é uma das ferramentas mais eficazes para preservar a independência. Treinos de força mantém a massa muscular e a potência funcional, enquanto práticas de equilíbrio reduzem a instabilidade postural e o risco de quedas. Já alongamentos e exercícios de mobilidade preservam a amplitude de movimento das articulações, permitindo que as atividades diárias sejam realizadas com mais segurança e conforto.

Quanto ao risco de quedas, um dos maiores medos e causas de internação em idosos, Netto explica que a combinação de treinamento de força e equilíbrio pode reduzir a incidência em até 30%. Além disso, o exercício aumenta a confiança na própria capacidade funcional, favorecendo a autonomia e a independência nas tarefas do dia a dia.

A importância de se manter em movimento também pode ser vista na prevenção de doenças crônicas. Praticar exercícios regularmente diminui o risco de desenvolver hipertensão, diabetes tipo 2, câncer de mama e cólon, AVC e doenças cardíacas. A atividade física atua como um verdadeiro “medicamento natural”, prevenindo e controlando condições que comprometem a qualidade e a expectativa de vida.

Movimento e saúde mental

Para além dos benefícios físicos, o movimento é um aliado poderoso contra os sintomas de ansiedade e depressão, pois favorece a liberação de neurotransmissores ligados ao bem-estar, salienta Eduardo. Além disso, o exercício físico aumenta a autoestima, a vitalidade e a sensação de energia, promovendo uma vida mais equilibrada emocionalmente.

“Manter-se ativo está associado ao menor risco de desenvolver depressão. Tanto o exercício aeróbico quanto o de força ajudam a preservar as funções cognitivas, reduzindo as chances de demência. O cérebro, assim como o corpo, se beneficia do movimento, que melhora a circulação sanguínea e a neuroplasticidade”, explica o profissional.

Ademais, quando a atividade escolhida para se manter em movimento é realizada em grupo ou em ambientes de convivência social, o exercício coletivo une saúde física e conexão humana. Gerando um aumento da motivação, do prazer e da regularidade da prática. Outro benefício das atividades em grupo é a redução do isolamento social, que é um fator de risco para o declínio físico e cognitivo.

Existe idade para começar a se movimentar?

Estudos comprovam que os benefícios da prática aparecem em qualquer idade, mesmo para quem começa depois dos 70 ou 80 anos. Sempre é tempo de colher ganhos em saúde, mobilidade e qualidade de vida. O importante é começar e manter a constância, buscando sempre um acompanhamento profissional especializado.

Cada pessoa envelhece de forma única, por isso é essencial uma avaliação individual para identificar condições de saúde e limitações. O profissional de Educação Física garante uma prescrição segura, progressiva e adaptada, prevenindo lesões e aumentando a adesão ao programa de exercícios.

Outro ponto importante é a combinação de diferentes modalidades como: aeróbicos moderados (caminhada, bicicleta ou natação), exercícios resistidos (musculação, elásticos ou peso corporal), atividades de equilíbrio e coordenação (tai chi chuan, yoga e outros) e alongamentos e práticas de mobilidade. Essa diversidade garante benefícios completos para corpo e mente, proporcionando um envelhecimento mais saudável e ativo.